A ascensão da extrema direita e seus riscos para a segurança feminina

A questão central não se resume apenas ao aumento nos índices de violência contra as mulheres, mas também à institucionalização dessa agressão como parte de um projeto político. A ligação entre a crescente violência contra as mulheres e o avanço da extrema-direita tornou-se um tópico relevante nas discussões políticas contemporâneas, sendo descrita por especialistas como uma estratégia política que utiliza a misoginia e a desumanização feminina para sustentar hierarquias de gênero tradicionais.

É evidente que o machismo é letal. O sentimento de posse que alguns homens nutrem em relação a suas parceiras está na raiz de uma longa história de violência, que abrange espancamentos, estupros e assassinatos de mulheres.

Os dados sobre a violência contra as mulheres são claros e evidenciam esta relação entre machismo e agressão.

A extrema-direita promove uma cruzada contrária aos direitos de gênero e à supremacia masculina, visando desmantelar conquistas femininas. Essa desvalorização do feminino no ambiente cultural alimenta a violência cotidiana, resultando em taxas alarmantes de feminicídio no Brasil, que figura entre os países com os maiores índices globais.

Denunciar o machismo é imprescindível. Mais do que isso, é necessário confrontar um machismo que é sustentado pela extrema direita.

Discursos vindos da extrema-direita frequentemente rebaixam as mulheres e incitam sentimentos hostis, criando um ambiente propício à cultura da violência que culmina em crimes como o feminicídio. Além disso, esses discursos dificultam ou enfraquecem iniciativas voltadas para a igualdade de gênero, como a resistência à aprovação de leis que criminalizam a misoginia e tentativas de desqualificar projetos de proteção. Isso transforma a misoginia em algo atraente para jovens homens, reforçando comportamentos dominantes e afetivamente indisponíveis. É importante ressaltar também a marginalização das vidas de mulheres negras, indígenas e da comunidade LGBTII+, que enfrentam feminicídios, lesbocídios e transfemicídios, devido à intersecção das pressões geradas por gênero, raça e sexualidade.

Um exemplo disso pode ser observado no Maranhão.

A deputada estadual Mical Damasceno, identificada com a extrema direita, chegou ao extremo de afirmar em um discurso na Assembleia Legislativa que “o homem é o cabeça da família” e que “a mulher deve ser submissa ao seu marido”.

Esse tipo de declaração representa não apenas um absurdo completo, mas também um tipo de discurso machista que tem historicamente contribuído para o aumento da violência e dos homicídios contra mulheres.

Discurso semelhante ao da deputada Mical Damasceno coloca as mulheres em situação vulnerável. Estou convinta de que essa retórica da extrema direita cultiva o machismo e contribui diretamente para o aumento dos assassinatos femininos.

Tais declarações ainda servem para negar toda a luta do movimento feminista pela dignidade e pelos direitos das mulheres.

A clara evolução em legislações como o “Pacto contra o feminicídio” (2026) e o Projeto de Lei nº 896/2023, conhecido como PL da Misoginia — que altera a Lei nº 7.716/1989 para incluir questões relacionadas à misoginia — são progressos significativos. Contudo, urge combater a desvalorização do discurso igualitário na sociedade brasileira, seja nas redes sociais, nas comunidades religiosas ou nos fóruns políticos.

A educação pública é uma ferramenta essencial no combate ao machismo.

No entanto, seguindo com o exemplo do Maranhão, sob iniciativa da mesma deputada Mical Damasceno, foi derrubado o veto do Governo do Estado ao Projeto de Lei 205/2021. Este projeto proíbe o uso da linguagem neutra ou qualquer forma que altere a norma culta no currículo das escolas públicas ou privadas maranhenses.

É importante destacar que já existe jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal (STF), indicando que estados e municípios não têm autoridade para proibir o uso da linguagem neutra nas instituições educacionais; tal proibição é considerada formalmente inconstitucional. A competência para legislar sobre diretrizes educacionais pertence exclusivamente à União (conforme estabelece o art. 22, XXIV da Constituição Federal).

Dessa maneira, atualmente, um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres maranhenses e brasileiras reside na confluência do discurso extremista com outras esferas do poder. Esse tipo de retórica promovido pela extrema direita tanto nas redes sociais quanto na Assembleia Legislativa cultiva o machismo e propaga riscos à vida feminina.

Em síntese, essa realidade evidencia a necessidade urgente de fortalecer nossa democracia através da superação das estruturas opressivas presentes numa sociedade permeada pelo patriarcado, machismo e racismo. A luta pela garantia do direito à vida deve ser constante frente às diversas formas de violência que afetam as mulheres de maneira desigual.

A violência persiste como uma realidade cruel; sejamos justos na luta pela causa feminista.

By Aconteceu de Fato

Confira!