A Corte de Apelação de Roma, em decisão tomada na última quinta-feira (16), deu sinal verde a um novo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil. Essa determinação reforça a avaliação das autoridades italianas sobre a severidade das ações da parlamentar cassada e amplia os fundamentos legais para seu retorno ao sistema prisional brasileiro.
Esse novo parecer está relacionado à condenação aplicada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Os acontecimentos que levaram à condenação ocorreram na véspera do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo, quando Zambelli perseguiu um homem armado com uma pistola em via pública. A pena determinada pelo STF para essa infração é de 5 anos e 3 meses de detenção.
Acúmulo de penas e crimes comuns
A decisão recente se junta à sentença anterior da mesma corte, datada de 26 de março, que já havia concedido autorização para extradição relacionada ao caso da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com as condenações acumuladas, Zambelli pode enfrentar mais de 15 anos de reclusão no Brasil.
Atualmente, Zambelli encontra-se na penitenciária de Rebibbia, em Roma, desde julho de 2025. Apesar dos esforços da defesa para utilizar sua dupla cidadania como argumento contra a transferência, o tratado bilateral entre Brasil e Itália permite a extradição em casos que envolvem crimes comuns, sem conotação política — uma interpretação que tem sido aceita pelas cortes italianas.
Condenações no STF
No total, as penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal ultrapassam 15 anos. No principal processo envolvendo a invasão dos sistemas do CNJ e falsidade ideológica em colaboração com o hacker Walter Delgatti, a ex-deputada recebeu uma condenação de 10 anos em regime fechado. A ela se soma agora a sanção referente ao porte ilegal de arma e constrangimento ilegal ocorrido em São Paulo.
A equipe jurídica da ex-deputada informou que pretende recorrer à Corte de Cassação, que é a instância máxima italiana, dentro do prazo estipulado de 15 dias. O advogado Fábio Pagnozzi argumenta que se trata de uma “perseguição política” e questiona a correspondência dos delitos com a legislação vigente no país.
O respaldo duplo da Corte de Apelação enfraquece os argumentos da defesa e acelera o andamento do processo. Se a Corte de Cassação mantiver esta decisão, o ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, terá a palavra final. As autoridades brasileiras, através do Itamaraty e do Ministério da Justiça, estão acompanhando atentamente os desdobramentos. Caso a extradição seja confirmada, Zambelli deverá cumprir suas penas inicialmente em regime fechado no Brasil.
