Copom avalia encerrar ciclo de redução de juros, gerando inquietação no mercado

Na terça-feira, dia 16, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) dará início a uma reunião crucial para decidir sobre a taxa Selic, atualmente fixada em 14,5%. O setor produtivo e diversas organizações de trabalhadores estão atentos às possíveis direções que o colegiado tomará em relação aos juros.

Após dois cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, havia uma expectativa de que um ciclo de redução mais robusto se iniciasse. Entretanto, os últimos indicadores econômicos começaram a sugerir um cenário oposto ao antecipado, levando analistas do mercado a concluir que a manutenção da Selic no patamar atual é bastante provável. Há, no entanto, aqueles que ainda apostam em um novo corte de 0,25 p.p., embora este possa ser o último movimento desse curto ciclo.

Quer seja pela manutenção dos juros ou por um pequeno corte adicional, as expectativas do setor produtivo, movimentos sociais e sindicatos estão longe do que almejam.

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Desde o início da gestão de Gabriel Galípolo à frente do BC, manifestações têm ocorrido nas ruas em prol da redução dos juros, uma reivindicação que remonta à administração de Roberto Campos Neto.

A Selic foi elevada durante todo o ano de 2025 e permaneceu em 15% por um extenso período, representando o nível mais alto registrado desde julho de 2006. O primeiro corte só aconteceu em março deste ano e foi considerado mínimo, gerando insatisfação tanto entre trabalhadores quanto empresários que continuam pressionando por uma taxa de juros mais alinhada à realidade econômica brasileira.

Mercado prevê aumento

A expectativa do mercado financeiro para a Selic em 2026 foi elevada. De acordo com o Boletim Focus — que compila as previsões do mercado —, há quatro semanas a expectativa era de que a taxa básica encerrasse o ano em 13,25%. Contudo, as avaliações mais recentes indicam que essa projeção subiu para 13,75%.

Embora essa visão não reflita a perspectiva do BC, as expectativas do mercado influenciam diretamente as decisões do Copom.

No último corte realizado em abril, o Comitê expressou preocupação com a continuidade do conflito no Oriente Médio e seus impactos nos preços, além de acompanhar atentamente a inflação.

<pNesse contexto, a diretoria informou que as projeções já mostravam uma inflação acima da meta para os anos de 2026 e 2027, estimadas em 4,9% e 4%, respectivamente.

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Desde então, a situação inflacionária se agravou. Com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, a inflação oficial acumulada nos últimos 12 meses subiu de 4,39% para 4,72%.

Esse novo panorama exige atenção redobrada porque reverte a tendência de queda observada nos meses anteriores e ultrapassa o limite máximo tolerável de 4,5% estabelecido para a meta inflacionária.

Esse dado também afetou as projeções do último Boletim Focus, que revisou suas estimativas para uma inflação anual de 5,3% para este ano e 4,1% para o próximo — um agravamento em relação aos índices anteriores citados na ata do Copom divulgada em abril.

A decisão final sobre os juros será anunciada pelo Copom na quarta-feira (17), após às 18 horas.

By Aconteceu de Fato

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