Fracasso dos atos da direita expõe a falta de propostas do bolsonarismo

Um público inexpressivo compareceu, neste domingo (1º), aos atos convocados por seguidores de Jair Bolsonaro. O ex-presidente atualmente cumpre pena pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa, sentenciado a 27 anos e três meses de prisão.

Realizadas em cerca de 20 cidades sob o mote “Acorda Brasil”, as manifestações confirmaram o isolamento do movimento e expuseram divisões internas sobre a estratégia de ataque às instituições e a disputa por protagonismo na campanha eleitoral.

Foco dividido e medo de fortalecer o governo

O evento foi marcado por uma mudança de última hora no tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Embora a intenção inicial fosse focar no impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, uma ala dos bolsonaristas recuou com o receio que a eventual saída de um ministro da Corte abra outra vaga a ser preenchida por indicação do presidente Lula.

Enquanto o pastor Silas Malafaia manteve ataques virulentos a Moraes, classificando as investigações sobre o golpe como “imorais”, lideranças como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) evitaram citar Toffoli, expondo a falta de unidade. O foco oscilou de forma confusa entre a defesa de investigados e o pedido de anistia para os condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro.

Ausência de propostas e fracasso de público

A marca central dos discursos foi a total ausência de propostas para os problemas reais do país. Sem agenda para economia, saúde ou educação, as falas restringiram-se a ataques pessoais e retórica de vitimização.

Sem proposta, o poder de mobilização decai a cada ato da extrema direita. O Monitor do Debate Político da USP apontou um pico de apenas 20.400 participantes na Avenida Paulista, menos da metade de atos anteriores. No Rio de Janeiro, o cenário foi ainda pior: apenas 4.700 pessoas compareceram a Copacabana, o menor registro para eventos da direita nos últimos anos.

As lideranças bolsonaristas priorizaram slogans repetitivos e a pregação do ódio. Na Paulista, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) deu o tom do ato: “Fora Lula, Moraes e Toffoli”. Em Belo Horizonte, repetiu a ausência de ideias para o desenvolvimento da nação: “Temos um Brasil pra salvar!! Fora Lula, Moraes e Toffoli.”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência em 2026 e figura central no ato de São Paulo, também não apresentou propostas. Em entrevista antes do ato, ele afirmou: “A pauta foi colocada pelo Nikolas, está pública. É ‘Fora, Lula’, ‘Fora ministros do Supremo'”.

Disputas sucessórias e “fogo amigo”

A fragilidade do movimento também se manifestou na disputa antecipada por 2026. O deputado foragido Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos há um ano, participou via videochamada de dentro de um carro, tentando nacionalizar sua situação jurídica e pedindo que o público o representasse “fisicamente”.

O clima de desconfiança no PL foi evidenciado por uma carta de Jair Bolsonaro lamentando críticas internas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O documento surgiu após Eduardo reclamar que o apoio de Michelle à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência está “aquém do desejável”. A divisão é acentuada pela movimentação de governadores como Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), cuja presença no palanque sinaliza que o campo conservador articula alternativas viáveis fora do núcleo familiar dos Bolsonaro para o pleito de 2026.

Reação do campo democrático

Lideranças democráticas registraram o fracasso das mobilizações. Para a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), os atos estão “cada dia mais esvaziados e sem sustentação”, classificando o resultado como um “vexame”. O deputado Rogério Correia (PT-MG) reforçou que o povo cansou do ódio, destacando o contraste entre a agenda extremista e as ações do governo Lula no socorro às vítimas de desastres climáticos.

Na manhã desta segunda-feira (2) o termo “flopou” era o mais usado no X.

O post Atos flopados da direita revelam vazio programático do bolsonarismo apareceu primeiro em Vermelho.

By Aconteceu de Fato

Confira!