A deputada Enfermeira Rejane tem sua trajetória política intimamente ligada à defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e à valorização da enfermagem. Antes de assumir um cargo na Câmara em 2025, já se destacava como uma das principais representantes da categoria no Rio de Janeiro, sendo reconhecida por sua atuação sindical e por suas críticas à precarização do trabalho na saúde pública.
Com formação em Enfermagem pela UFRJ, Rejane começou sua militância no movimento estudantil e ganhou destaque nacional durante as mobilizações da profissão. Após múltiplos mandatos como deputada estadual, ingressou no Congresso pelo PCdoB, levando consigo pautas que tratam das condições laborais dos profissionais da saúde e a defesa do serviço público.
“A minha atuação é muito clara: estou ao lado de quem cuida do povo brasileiro,” destaca a parlamentar.
No âmbito do Congresso, Rejane foca sua atuação na proteção do SUS, na valorização dos enfermeiros e no combate à deterioração da saúde pública.
Piso salarial e luta por condições dignas
A recente aprovação do piso nacional para a enfermagem é considerada uma das vitórias mais significativas da categoria. Contudo, para Rejane, a luta está longe de ser concluída. Segundo a deputada, o cotidiano dos profissionais de saúde ainda é repleto de vínculos precários, excesso de trabalho e pejotização.
“Estamos exigindo transparência nos repasses relacionados ao piso salarial e denunciando prefeituras e instituições que recebem verbas públicas sem garantir os direitos trabalhistas,” afirma.
Além disso, seu mandato se dedica a monitorar as condições de trabalho em hospitais e unidades de saúde, além de apresentar propostas voltadas para a segurança tanto dos pacientes quanto dos profissionais.
“Nossa presença está nas ruas, nos hospitais e nas unidades de saúde, ouvindo os trabalhadores e convertendo essas necessidades em ações concretas no Congresso,” complementa.
Rejane também critica a crescente privatização do sistema público de saúde e conecta a discussão sobre jornada de trabalho à qualidade do atendimento oferecido à população. “Não podemos aceitar a diminuição do número de leitos, demissões de funcionários ou o sucateamento do SUS enquanto os mais pobres ficam sem acesso adequado aos cuidados médicos,” ressalta.
A defesa por jornadas mais justas e o combate à escala 6×1 são centrais em seu mandato, especialmente em um contexto decisivo para o debate sobre redução da carga horária sem diminuição salarial no Congresso, que enfrenta resistência por parte de setores empresariais e grupos conservadores.
Saiba mais: Direita tenta adiar redução da jornada e fim da escala 6×1 para 2036
“Sem enfermagem, não há SUS”
A deputada acredita que a pandemia evidenciou uma realidade já conhecida pelos trabalhadores da saúde: a enfermagem é essencial para o funcionamento diário do SUS, mas permanece afastada das principais decisões políticas.
“No Congresso, temos avançado em discussões cruciais sobre jornadas dignas, saúde mental dos profissionais da área médica, combate à violência contra enfermeiros e uma regulamentação mais equitativa para o trabalho em home care,” afirma Rejane.
A parlamentar defende a ampliação da participação da enfermagem na criação de políticas públicas e critica a histórica desvalorização dos profissionais que atuam no cuidado dentro do sistema de saúde. “A pandemia revelou ao Brasil algo que já conhecíamos: sem enfermagem, não há SUS funcionando,” destaca.
Mulheres no trabalho e violência profissional
A situação enfrentada pelas mulheres em seus ambientes profissionais também motiva as ações da deputada. Ela é autora do PL 833/2026, um projeto que surgiu em resposta às experiências sofridas diariamente por mulheres vítimas de assédio, violência psicológica e discriminação salarial nos locais de trabalho.
“As mulheres continuam sendo maioria nas áreas relacionadas ao cuidado, saúde e educação; no entanto, elas recebem menos remuneração, ocupam menos espaços de poder e frequentemente enfrentam ambientes hostis,” aponta Rejane.
O objetivo dessa proposta é aumentar os mecanismos de proteção às mulheres trabalhadoras, fortalecer canais para denúncias e responsabilizar práticas discriminatórias em instituições públicas e privadas. “Não basta apenas punir; é necessário mudar a cultura dentro dos ambientes laborais,” enfatiza.
Para ela, a desvalorização crônica da enfermagem está interligada ao machismo estrutural presente nas relações sociais. “Profissões ligadas ao cuidado são desvalorizadas exatamente porque são predominantemente ocupadas por mulheres,” conclui.
Mulheres na política e resistência popular
Ao abordar os obstáculos enfrentados por mulheres na política brasileira, Rejane destaca que a violência política baseada em gênero se manifesta diariamente através tanto de ataques diretos quanto tentativas constantes de deslegitimação das mulheres nos espaços institucionais.
<p“Essa violência se apresenta tanto abertamente quanto disfarçadamente: interrupções frequentes durante falas, tentativas de desqualificação pessoal, ataques nas redes sociais e invisibilização das pautas que defendemos,” explica a deputada.
Apesar desse cenário desafiador, ela reafirma seu compromisso com a luta pela saúde pública, pela valorização da enfermagem e pelo fortalecimento das mulheres trabalhadoras.
“Cada ataque só reforça minha convicção sobre a necessidade urgente de mais mulheres na política – especialmente aquelas oriundas da classe trabalhadora.” Para Rejane, ocupar uma cadeira no Congresso representa também abrir espaço para trabalhadores historicamente excluídos dos centros decisórios do país.
